Valorização injusta

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Bom, pra começar esse post, resolvi tocar em dois assuntos que estão sendo bastante comentados ultimamente. O primeiro é a contratação do Ronaldinho Gaúcho pelo Flamengo, depois de toda aquela novela “pra qual time será que ele vai?”. Quem me conhece sabe que eu não dou bola (com o perdão do trocadilho) pra futebol, mal sei quem são os jogadores do meu time e nem costumo assistir às partidas. Mas preciso ser sincera: como gremista, fiquei com raiva do que aconteceu e achei muita falta de caráter o que o Ronaldinho e seu irmão A$$is fizeram. É muito feio se comprometer com uma coisa e dar sua palavra e depois voltar atrás. Mas voltemos ao assunto original.

O segundo assunto que quero comentar são as tragédias que aconteceram recentemente no Rio de Janeiro: primeiro as chuvas constantes e depois o desmoronamento de morros, matando centenas de pessoas e deixando milhares desabrigadas.

Pra que eu trouxe à tona esses assuntos, que aparentemente não tem ligação nenhuma? Porque como a diferença de tempo entre a ocorrência de um e de outro é bem pequena, eles me fizeram refletir mais profundamente sobre algo que venho pensando há algum tempo.

O Ronaldinho vai ganhar aproximadamente R$1,5 milhão no Flamengo, fora o dinheiro com patrocínio, venda de produtos com seu nome, etc. Pra JOGAR FUTEBOL, o que consiste em chutar uma bola ao longo de um gramado, passando pelos jogadores do time rival, até chegar à goleira adversária, e fazer a bola entrar no espaço determinado.

Já um bombeiro em início de carreira, ganha por volta de R$1 400. Pra SALVAR VIDAS. Se meter no meio do fogo, do mato, do que for pra salvar uma pessoa totalmente desconhecida. E não são só os bombeiros que merecem destaque por ganharem uma mixaria. Que tal falarmos dos médicos que atendem em pronto-socorro, ou os que trabalham na Samu, cuja habilidade e rapidez são determinantes para o sucesso do salvamento que vão executar? E o que eles têm que estudar pra poder exercer a medicina? São anos de estudos, residência, especialização e o diabo a quatro.

E se, ao invés de falarmos de quem salva vidas, falarmos de quem tem a capacidade de transformá-las, como os professores do ensino básico? Esses que tem de ser os reis da paciência, da calma, da compreensão, e que ainda por cima passam o dia ouvindo desaforos e desrespeito de aluninhos cujos pais incompetentes não lhes deram nenhuma educação em casa.

Não que eu ache que o dinheiro seja a única motivação que um profissional deve ter pra que exerça seu trabalho com dedicação, mas vamos combinar que as pessoas trabalham porque precisam se sustentar, não é mesmo?

Pra que as coisas fossem justas no Brasil, quem deveria ganhar 1 milhão são esses profissionais cuja existência é fundamental para o crescimento e a sustentação da sociedade. Um jogador de futebol deveria ficar satisfeitíssimo com um salário de R$5 mil por mês.

Temos é que parar de valorizar tanto a nossa posição como País do Futebol, e lutarmos pra ser o país da cultura, da igualdade e da educação. Enquanto a contratação de um jogador por um time brasileiro for a notícia mais comentada em todos os jornais, vamos continuar estagnados, vendo literalmente, tudo desmoronar.

Links relacionados ao post, que complementam o que eu já falei:

http://www.dihitt.com.br/barra/salario-do-professor-no-brasil-e-o-3-pior-do-mundo

http://mundoestranho.abril.com.br/cotidiano/pergunta_287045.shtml

http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&local=1&section=Esportes&newsID=a3171977.xml

Quero saber a opinião de vocês! E amanhã tem Links da Semana!

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  1. Laís, muito bom o teu texto! Muito bom mesmo! Concordo com tudo que tu disse, sem tirar nem pôr. Eu, de fato, amo futebol, mas felizmente não me deixo alienar por isso e acho um absurdo o tanto de dinheiro que os jogadores ganham… Se a gente for parar pra pensar, tem muuuuita coisa injusta! Olha quanta celebridade (e aí eu me refiro às que não fazem e nem representam p*rra nenuma) ganha rios de dinheiro! Eu me indigno com essas coisas também, é triste… Parabéns pela postagem, adorei! Beeeijos.

    • É verdade, o caso das celebridades é outro pra se comentar! E quando eles doam dinheiro pra uma instituição ou alguém necessitado, ainda se sentem no direito de falar o quanto são bons, sendo que não fazem mais do que a obrigação, com toda a condição financeira que tem!
      Que bom que tu gostou da postagem! Obriagada por sempre comentar! Beijo

  2. Laís, primeiramente quero dizer que teus textos estão muito bons! Parabéns!
    Sobre o post…
    Concordo contigo em tudo, acho que faltou comentar do salário abusivo dos deputados, esses sim deveriam ser destinados a outros profissionais!
    Já sobre os jogadores, tem uma questão né… tanto aqui, quanto no exterior as contratações de grandes jogadores são milionárias, então se forem reduzidos estes salários, nenhum bom jogador aceitaria ficar num clube brasileiro, já que no exterior eles podem ganhar 5 vezes mais, até mesmo para ficar no banco de reservas. Acontece que todo grande clube tem parceiros e patrocinadores gigantes, que querem sempre ver suas marcas veiculadas ao futebol, e os clubes acabam ganhando uma porcentagem desse merchan, fazendo-os assim cheios da grana!
    Mas ainda assim, sabendo que sería impossível reduzir tais salários, creio que chegar a um milhão por mês é abuso. Mas o tal mundo do futebol é uma bola (dãr), um ciclo que não tem saída.

    |Beijos, Mila. ;]

    • Mila, que bom te ver por aqui! Pois é, aproveitei a deixa do caso do Ronaldinho pra fazer esse post, mas com certeza é sempre bom lembrar dos políticos, que aumentam seus salários por conta própria. Também é um grande absurdo. Eu sei que a situação do futebol, a essa altura do “campeonato” dificilmente vai mudar, mas o que eu quero dizer é que antigamente se jogava futebol por paixão, e os salários não eram tão altos. Hoje, nenhum jogador pode se declarar apaixonado por um time, porque eles sempre vão jogar no que pagar mais. Como disse o Pelé, se o Ronaldinho fosse assim tão apaixonado pelo Grêmio ele jogava de graça, porque não precisa mais de dinheiro, né? Os “craques” parecem se sentir superiores, e não veem o quanto são privilegiados em relação à outras profissiões, que são mais arriscadas, mais importantes e não recebem nem 1/5 da remuneração que eles recebem.
      Mas, pra resumir, o que eu quis dizer é que a gente cobra do governo, mas nem nós, “o povo”, sabemos valorizar esses profissionais.
      Adorei teu comentário! Fico feliz que tenha gostado do que eu escrevo! Um beijo e volte sempre 😉

  3. Laís, Laís… ai, ai… Um texto melhor que o outro, hehehehe.

    Concordo com tudo que tu disseste! o/

    Parabéns ‘Hermione da vida real’.

    O blog tá “mara”, continua assim!

    Beijos

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