Minhas preferências me condenam?

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“Nada mais perdedor do que alguém querendo ser alternativo”. Essa frase foi postada no Twitter por Rafinha Bastos, no dia 25 de Fevereiro. Ele não poderia estar mais certo.

O fato de que muitas pessoas fingem, ou se obrigam a gostar de algo, apenas para que os outros pensem que estas são alternativas/descoladas/inteligentes ou o adjetivo que vocês desejarem usar, é algo que já percebo há muito tempo, mas que depois que entrei para a faculdade de Jornalismo, tenho visto mais ainda.

Eu vou ser jornalista, por isso tenho que me informar e conhecer várias culturas, estilos musicais, e todas as formas de arte possíveis e imagináveis. Mas eu não vou deixar de gostar de Glee e passar a ser fã de Friends só por causa da minha futura profissão. Glee é considerada por muitos uma série boba, infantil, e que ensina “coisas erradas”, digamos assim, aos adolescentes. Friends teve 10 temporadas e é cultuada até hoje como uma das melhores séries já transmitidas pela TV americana. Só que eu nunca gostei de Friends. Simplesmente não acho graça. Aliás, das séries consideradas ótimas, indispensáveis, obrigatórias para qualquer fã de enlatados americanos, eu só me apaixonei por Lost, que acabou decepcionando muita gente depois do final controverso.

Mas para o mundo, e para meia dúzia de pessoas que eu quero “impressionar” eu tenho que parecer cult, inteligente, e só gostar de coisas consideradas boas. Tudo bem, então a partir de agora eu vou falar pra todo mundo que AMO Friends, e que Glee é só um musical adolescente idiota.

NÃO! Não é assim que funciona! Pessoas, por favor, parem de alterar suas preferências para que os outros pensem que vocês são mais inteligentes!!! Quem disse que, por exercer determinada profissão se deve gostar de uma coisa e desgostar de outras??? Eu vou ser jornalista, e eu ouço um monte de bandas de estilos diferentes, e não tenho vergonha disso. Eu gosto de coisas consideradas “fúteis”, como maquiagem e moda, e até compro revistas sobre o assunto. Isso me faz pior do que alguém que gosta de economia e só ouve Rolling Stones? Não, não me faz. Isso significa que eu não sou capacitada pra exercer bem minha profissão? Não, não significa! Se eu passar a fingir que gosto de alguma coisa que antes eu não suportava só porque alguém diz que é bom, significa que eu sou idiota? Sim, significa! (#RonnieVonfeelings)

“Ah, mas gosto é uma coisa pessoal!” Claro que sim, mas se imaginem na seguinte situação: em uma conversa, um amigo comenta que sua banda preferida é Beatles.  Será que alguém vai se atrever a dizer “nossa, mas Beatles é uma droga! Como você pode gostar daquelas músicas insuportáveis?”.  Isso é o que alguém com bom senso diria se uma pessoa comentasse que sua banda favorita é Restart (não resisti). Que Beatles é uma banda boa todo mundo sabe, mas não precisa virar sua banda favorita da noite pro dia só porque a qualidade da música dos Beatles é unanimidade, ou porque isso vai fazer você parecer mais culto. Você pode curtir (eu curto alguma músicas, só), mas não é necessário comprar uma camiseta pra anunciar pro mundo seu bom gosto.

Agora eu vou revelar um segredo que vai acabar totalmente com a minha credibilidade: eu assisto Big Brother. Chocados? Se vocês tiverem bom senso (eu espero que tenham), não irão se surpreender. Por quê? Porque existe um abismo de diferença entre eu gostar de assistir BBB e entrar em comunidades, fã clubes de adoração a algum participante. Eu posso garantir pra vocês que a única pessoa envolvida com esse reality show para a qual eu daria importância, caso tivesse a oportunidade de encontrar, seria o Pedro Bial. Porque, antes de ser apresentador do BBB, ele é um jornalista importante,  que já foi correspondente internacional, que esteve presente em momentos importantes da história mundial. A bagagem que ele carrega como profissional do jornalismo é o sonho de muita gente.

Mas segundo algumas pessoas, admirar o Bial é ridículo! Afinal, ele apresenta o BBB, aquele programa cheio de baixarias, com participantes desprovidos de cérebro, que só o “povão” assiste. Queridos, uma dica: vão estudar, vão ler e pesquisar antes de vir falar o que vocês não sabem.

E mais: continuem aí, dizendo que gostam de Beatles e ouvindo Cine no MP3 player, bem baixinho, pra que ninguém descubra. Enquanto isso eu vou sendo feliz gostando do que eu gosto, sem vergonha nenhuma.

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  1. Concordo contigo Laís! Temos que ser o que somos, nosso gosto pessoal não influencia em nada nossa capacidade profissional.

    Tem gente que é tão fake cult, que se o ato de respirar virar modinha, a pessoa tranca a respiração até morrer – só pra parecer cool… ಠ_ಠ

    Eu sou muito bem resolvida com os meus gostos. Já gostei de cada coisa que MEU DEUS… No entanto, negar isso, seria negar a mim mesma, negar quem eu sou e isso eu não faço.

    Parabéns pelo post 😀

    Beijos

    • Hehehehe, pois é, isso de ser fake é complicado! E não é nem o caso de modinha, é ter vergonha mesmo de admitir o que gosta porque a própria pessoa menospreza a si mesmo e a sua capacidade de “discernir”, digamos assim, o que é bom e o que é ruim.
      E quanto ao que um dia já gostamos e hoje, AINDA BEM, não gostamos mais, não tem que negar mesmo! Ver que é ruim uma coisa que um dia consideramos boa é mostrar que evoluímos e crescemos, e os nossos gostos também!
      Obrigada pelo comment! ❤

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