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Por uma beleza mais democrática

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Quem leu meu post de estréia sabe que eu já tive intenção de fazer um blog sobre moda e também sabe os meus motivos para não o fazer. O caso é que eu gosto de ler e pesquisar sobre moda, e pra essas férias não se tornarem o maior tédio, eu comprei uma revista sobre o assunto que eu nunca tinha lido. Não vou dizer o nome, mas é uma publicação que fala de “coisas femininas” no geral: cosméticos, saúde, alimentação, etc.

Pois bem.  Como a revista é do mês de janeiro, há uma matéria que dá dicas sobre o que fazer ao longo dos próximos 12 meses pra se manter bonita, na moda e com o corpo em forma.  No parágrafo dedicado ao mês de outubro, a dica é combater a celulite e a flacidez com tratamentos específicos, com aparelhos massageadores que emitem raios infravermelhos e outras tecnologias. Várias técnicas são citadas na matéria, que inclusive traz os preços de cada tratamento. O mais barato custa de R$300 a R$900, e são recomendadas 10 sessões. O outro pode custar de R$3,5 mil até R$10 mil, e apenas uma sessão é suficiente.

Lendo uma revista desse tipo, voltada ao público feminino, já é esperado encontrar produtos com preços exorbitantes. Não só nos tratamentos de beleza, mas também em acessórios, como uma bolsa que custa R$ 7500. Não estou dizendo com isso que sou contra a vaidade e a vontade de se cuidar. Muito pelo contrário! Sou totalmente a favor! Mas o que me impressiona é que parece que nenhuma publicação que trate de moda e assuntos femininos parece pensar que pelo menos 90% das mulheres brasileiras pertencem a classes sociais que não têm acesso a produtos que chegam a esse preço.

Toda a mulher tem o direito de usar uma roupa ou um acessório que a faça sentir-se bem consigo mesma. E é aí que mora o problema. Por que não trazer alternativas eficazes para mulheres que não podem gastar 10 mil em um tratamento contra celulite? Por que não dar espaço ao batom de R$5 vendido em qualquer farmácia e que tem a cor parecida com o de R$100 de uma grife exclusivíssima?

Não vou mentir e dizer que não cobiço algumas coisas “de marca” que vejo por aí. Mas não vou morrer porque não posso comprá-las, e certamente vou pesquisar pra encontrar uma alternativa com preço mais em conta. Ninguém deve seguir à risca tudo o que a publicação X traz como tendência. Elas servem apenas para nos inspirar, nada além disso.

Acho que essa “mania” de fazer tudo relacionado à beleza parecer tão caro, tão inacessível pra maior parte da população, é uma das causas pelas quais muita gente acha que moda é só futilidade.  Não sei de nenhuma revista que tenha a tradição de trazer esses produtos alternativos, e tenho a esperança de um dia ver isso mudar. Talvez seja esse o motivo dos blogs de moda estarem tão… na moda, e ganharem acessos e leitoras fiéis todos os dias. Eles são de graça, são muito mais democráticos que as revistas, e procuram atender a todos os pedidos de suas leitoras, enquanto as publicações impressas são somente mais do mesmo.

Não saia por aí fazendo tratamentos de beleza que custam mais que os olhos da sua cara. Não saia por aí usando uma calça verde com bolinhas azuis só porque alguma fashionista disse que é tendência. Estar na moda é estar feliz consigo mesma, e usar o que é mais adequado para sua forma física. A moda é pra todas e deve ser feita por todas.

Qual a sua opinião? Você se interessa por algo relacionado à moda? Discuta!

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